terça-feira, 13 de maio de 2008

Eu e tu...não dá [Capítulo 9]

- O quê? Fechados aqui? - perguntou Tom
- Sim, aqui no elevador. Sabes o pior? Os telemóveis não têm rede e o alarme não funciona! E agora?
- Agora? Beija-me...
No meio do escuro, senti as suas mãos puxarem-me para ele como à bocado. Como conseguia ele pensar nisto, neste momento? Estávamos no escuro, fechados no elevador! Quase sem ver nada, senti a sua respiração, practicamente em cima de mim. Creio que íamos, tal como ele queria, acabar o que tínhamos começado. Senti o meu coração bater mais forte. No silêncio, apenas ouvia as nossas respirações. Sentia-o mais perto, e mais perto, e mais perto...até que o elevador dá outro solavanco e as luzes acendem-se, o que faz com os dois desviemos o olhar. O elevador começou a andar e chegámos então ao quinto andar, onde eu morava. Os dois trocávamos olhares que valiam mais que qualquer palavra que pudéssemos dizer. Se o elevador não tivesse andado, tínhamos ficado ali. Acho que ambos preferíamos que o elevador tivesse encravado de vez, que houvesse desespero, um escândalo, horas ali dentro e que tivessem que vir os bombeiros socorrer. Ao menos, podíamo beijar-nos. Abri a porta do elevador e estava a minha mãe ali, especada.
- Que se passou? - perguntou ela.
- O elevador encravou. O habitual. Não há problema, estamos bem - respondi eu.
- Está bem, então. Entrem. Bem-vindo, Tom - disse ela.
- Obrigado - agradeceu ele, ainda um pouco cabisbaixo pela situação anterior.
Entrámos, sentámo-nos na sala e esperámos que a minha mãe também se sentasse. Eu tinha medo de falar. Um arrepio percorreu-me a espinha quando a minha mãe entrou na sala. Eu tremia que nem varas verdes. Tudo agora podia mudar consoante a decisão da minha mãe.
- Então, o que trouxe os meninos aqui? - perguntou a minha mãe com um sorriso. Olhei de imediato para o Tom, que percebeu que eu estava congelada e não ia dizer coisa com coisa.
- Bom, foi agendado, à última da hora, um novo concerto. Mas desta vez é no Porto. E eu e o Bill, em nome da banda, queríamos pedir que ela viesse connosco - explicou Tom.
- Meninos... - disse a minha mãe - isso é muito complicado! Acho que nem eu, nem o meu marido temos disponibilidade para a levar!
- Mas aí está! Ela vem no autocarro da digressão e também volta connosco! - disse Tom, querendo convencer a minha mãe.
- Hum...e quando é? - perguntou ela.
- Partimos amanhã, dia 19 e voltamos dia 21, sexta-feira - disse Bill.
- Eu tenho de falar com o meu marido...
- Liga-lhe mãe! - implorei eu, ajoelhando-me no chão.
A minha mãe foi até à cozinha e telefonou ao meu pai. Na sala, eu e o Tom aguardávamos, nervosíssimos. Até que ela aparece na sala e me diz o que eu queria ouvir:
- Inês, estás autorizada.

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