domingo, 11 de maio de 2008

Eu e tu...não dá [Capítulo 6]

- Eu quero voltar a ver-te. - disse Tom, pegando-me nas mãos e olhando-me séria e fixamente.
- Sério? - perguntei.
- Claro...e não quero ir embora sem acabar o que começámos hoje.
- O que começámos hoje?
- Estávamos colados e por pouco eu beijava-te...lembras-te?
- Claro... - disse eu, cabisbaixa. Não queria que as coisas fossem assim. Mas se fosse só um beijo...que mal teria?
- Que foi? - perguntou ele, pondo a mão no meu queixo, erguendo-me suavemente a cabeça.
- Nada. - respondi depois de uns três segundos de silêncio.
- Passa-se alguma coisa.
- O que te leva a pensar isso?
- Não sei. Eu sinto isso.
- Como podes sentir o que vai dentro de mim?
- Pergunto-me o mesmo. - respondeu-me ele com um leve sorriso de boca fechada.
- Não sejas parvo...
- Já te disse. Tu deixas-me assim, miúda. - eu ri-me e depois ficámos uns segundos em silêncio. Quebrei-o.
- Que fazemos agora?
- Amanhã podes vir ter comigo?
- Eu...sim, acho que sim. Estou de férias. Encontramo-nos quando e onde?
- Aqui no hotel. À hora de almoço. De manhã tenho entervistas e assim. Podes aparecer por volta da uma.
- Cá estarei - disse eu com um pequeno sorriso. Ele queria-me ver de novo. O meu amor platónico queria-me ver de novo.

(...)

Uma da tarde em ponto. Gott, sou pontual até demais! Já estava há uns cinco minutos à porta do hotel. À uma em ponto é que decidi entrar. Dirigi-me à recepção.
- Boa-tarde - cumprimentei eu.
- Boa-tarde - respondeu a senhora com um sorriso - posso ajudar?
- Sim. Eu venho ter com um amigo meu. Você pode-me dizer em que quarto está o Tom Kaulitz?
- Desculpe, menina, mas várias raparigas me vieram perguntar pelo mesmo. Como deve calcular, não posso dar essa informação!
- Mas eu combinei com ele...
- Menina, desculpe...
- Ligue-lhe. Ligue para o quarto dele, por favor. Diga que está aqui a Nicky.
- Está bem...
A senhora lançou-me um olhar desconfiado e lá ligou para ele.
- O senhor Kaulitz mandou informar que já vai descer para o vosso encontro - disse ela.
Senhor Kaulitz? Puto Kaulitz! Sim, o Tom pode ser isto e aquilo, mas é um puto! Mas eu entendo, estamos num hotel, é tudo formal, blá, blá, blá...mas senhor?
- Ok, obrigado - agradeci eu.
Fiquei a olhar todos os pormenores da enorme sala do hotel e do hall. Porra, era mesmo grande e luxuoso! Acho que nunca tinha ficado naquele hotel. O que é normal. Se vivo em Lisboa, p'ra que preciso de um hotel? Sempre que via o elevador, olhava atentamente na esperança que ele saísse de lá. Esperei umas três vezes e nada. Até que me tapam os olhos. Sinto umas mãos fortes e suaves.
- Adivinha quem é... - segredou uma voz suave ao meu ouvido.
- Hum...Tom? - perguntei.
- Não...senhor Kaulitz! - respondeu ele com um sorriso, destapando-me os olhos.
- Oh, parvo...
- E lá estás tu a insultares-me. Deus, adoro raparigas assim...e quando se fazem difíceis então... - disse ele e mordeu o lábio.
- Típico teu - respondi.
- Então, vamos? - perguntou ele, ajeitando a t-shirt.
- Estou à sua espera...senhor Kaulitz! - disse num tom irónico.
Ele riu-se e pôs um braço em volta dos meus ombros. Saímos do hotel e ele levou-me a um restaurante lindo, com muito bom aspecto. Sentámo-nos a uma mesa. Ele pôs os braços cruzados em cima da mesa e debruçou o seu tronco, olhando-me fixamente, mordendo o lábio e fazendo um sorrisinho maroto.
- Que queres tu desta vez? - perguntei-lhe, fazendo o mesmo que ele, excepto a parte de morder o lábio.
- Quero-te a ti.
- Sabes qual é o problema de tu me quereres?
- Problema?
- Sim. É que tu só me queres como queres tantas outras. Por uma noite. E se é por isso...eu fico-me por aqui.
- Mas eu nunca te disse que te queria por uma noite.
- Nem precisas de o fazer. É a única coisa que tu queres com qualquer rapariga, Tom. Eu sei disso.
- Mas não tem de ser sempre assim. Sabes porque é que eu me resumo a "one-night-stands"? Queres mesmo saber a verdade?
- Adoras sexo...?
- Também... - disse ele com um sorriso maroto - mas isso todos adoram! Do género, nunca ninguém me amou. Se sim, eu nunca tive oportunidade de conhecer esse alguém. E se queres saber a verdade, eu nunca amei ninguém. Se isso algum dia acontecer, eu supostamente paro.
- Esperemos que sim. Esperemos que encontres essa pessoa.
- Mas sabes, eu acho que tenho medo disso...
- Medo de te apaixonares, Tom? Só deves ter medo se essa pessoa não estiver apaixonada por ti.
- Não é do amor-não-correpondido que eu tenho medo! É de... - depois permaneceu em silêncio, parecendo distante.
- É de...?
- Eu gosto das "one-night-stands". Eu gosto de curtir. Tenho medo de ficar preso a uma pessoa. P'ra mim é tão bom curtir com quem eu quero, quando eu quero. Depois se isso acontecer, não posso ter sexo com outras miúdas!
- Eu não digo que tu és parvo? Tom Kaulitz, se tu te apaixonares, vais perceber que não precisas de mais ninguém, a não ser essa miúda. E ela vai-te fazer feliz e acredita...ela é a única pessoa com quem tu vais realmente desejar ter sexo.
- Tu falas como se estivesses apaixonada...
- Quem te disse que não estou?
- Estás?
- Não vamos desviar o assunto.
- Ok. Mas porra, deixaste-me a pensar em algo que eu nunca tinha pensado antes. Isso é tão...sei lá.
- Tu também és tão...sei lá...parvo!
- Muito me gozas tu! Olha, hoje quem tem guardanapos à mão sou eu! - ameaçou ele em tom de gozo e rimo-nos.
Depois ele fitou-me novamente com os olhos. Ai, quando ele fazia aquilo...
- Voltamos ao princípio? - perguntei-lhe.
- Han?
- Ao de estares a olhar fixamente para mim, Tom.
- Eu quero acabar o que começámos ontem.

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