sexta-feira, 9 de maio de 2008

Eu e tu...não dá [Capítulo 5]

- Eu vim com mais duas amigas, e ainda encontrámos outra cá...do género...estaria a deixá-las plantadas se...
- Elas que venham connosco! - interrompeu-me Bill.
- Ah, ok! - respondi com um sorriso.

*Ao telefone*
Nicky: Ycky, traz a Pinky e a Roxy à loja onde eu entrei. Venham o mais rápido que puderem, é urgente!
Ycky: Que se passa?
Nicky: Venham!
Ycky: Ok, estamos a ir!

- Esperem aqui. - pedi eu aos gémeos.
Dirigi-me à porta. Cerca de um minuto depois, vejo-as correr na minha direcção, aflitas.
- Que se passa, mulher? - perguntou Roxy aflita.
- Ok, quero que vocês se mantenham calmas. Podem chorar, atirarem-se para o chão...mas por favor, não gritem! Façam o que fizerem, não façam um escândalo! Isto é como se fosse um segredo. Sigam-me. - disse eu.
Elas seguiram-me ordenadamente, até que encontraram os gémeos, atrás de um expositor onde eu tinha encontrado primáriamente o Tom. Viram os gémeos e como de esperado, berraram. Apressei-me a tapar-lhes as bocas. Elas começaram a chorar descontroladamente, agarraram-se aos gémeos e até morderam as mãos, para se aguentarem e não gritarem.
Depois de algum tempo de conversa, saímos para as ruas de Lisboa. Andámos por vários sítios, tirámos imensas fotos e depois fomos todos a uma gelataria. Quando lá chegámos, debrucei-me de imediato sobre a arca frigorífica para ver todos os sabores e escolher os meus. Como sempre, ia ser de certeza um gelado enorme. O Tom chegou ao meu lado, debruçando-se igualmente sobre a arca e colocando a sua mão direita na minha anca, agarrando-me.
- Hum...o que é que a menina me aconselha? - perguntou ele.
- Natas com pedaços de bolacha, chocolate com pepitas, limão e aquele ali que é da cor do céu. Pede com chantilly por cima, bolacha e molho de caramelo. Fica delicioso! - disse-lhe eu, sem tirar os olhos de todos aqueles sabores. Ele olhou-me com uma cara estranha.
- Tu consegues comer isso tudo? - perguntou-me ele, espantado.
- Ainda não viste nada! - disse eu lançando-lhe um enorme sorriso. Ele sorriu também.
Acabou por pedir o gelado como eu lhe tinha dito. Pedi um exactamente igual. Todos comiam de pé gelados "normais" e preparavam-se para ir embora, mas eu e o Tom sentámo-nos numa mesa a comer os enormes gelados em enormes taças. Todos nos olharam espantados.
- Hey, meninos, eu não quero ficar aqui a comer o gelado! - reclamou Pinky.
- Tens bom remédio! Olha ali a porta! - disse-lhe eu.
- Olha que vou mesmo! - disse ela indignada.
Deu meia-volta e a Ycky e a Roxy seguiram-na. O Bill viu que ficava a fazer de vela, então acompanhou-as. Tom olhava-me fixamente enquanto comíamos os gelados.
- Que foi? - perguntei-lhe.
- Nada. - respondeu ele com um sorriso.
- Então porque me olhas assim?
- Assim como?
- Assim!
- Mas assim como?
- Dessa maneira!
- Que maneira?
- Fixamente!
- Fixamente como?
- Opá, intensamente!
- Intensamente como?
- Dessa maneira!
- Que maneira?
- Desse jeito!
- Que jeito?
- Dessa forma!
- Que forma?
- Opá, pára de gozar comigo! - disse eu, atirando-lhe um guardanapo à cara. Ele desmanchou-se a rir. Acabei por me rir também.
- És tão parvo. - disse-lhe eu.
- Pelos vistos gostas de parvos.
- O que é que estás a insinuar?
- Que tu me adoras.
- Ou não...
- Ou sim. Eu bem vi a maneira como me olhavas na loja e como me olhaste durante todo o passeio. É óbvio que me amas.
- Han? 'Tás parvo?
- Ya, tu deixas-me assim.
- Olha que tenho aqui mais guardanapos!
- Não eras capaz!
- É que nem experimentes...
- Porquê? Bates-me?
- Ya, é da maneira que ficas num hospital português e te vais embora depois do previsto.
- Era isso que tu querias?
- Depende. Se viesses recuperar em repouso absoluto para minha casa, até queria.
- Ai é?
- É.
- Mas eu posso sempre ir para tua casa...não te garanto é que esteja quieto...podemos ficar os dois em "não-repouso", se é que me entendes...
- Entendo até bem demais.
- Oh, desculpa...estou arrependido... - disse ele em tom de gozo.
- Não estejas...eu também não estou.
- Tu és incrível.
- Ai sim?
- Sim, tens sempre resposta na ponta da língua.
- Há coisas que se herdam de família.
- Herdaste isso de quem?
- Conhecerás o meu pai, talvez se ele nos apanhar na cama.
- Aí ficavas tu sem resposta na ponta da língua.
- Dizia que estávamos apenas a ter divertimento natural, sem nos prejudicarmos a nós, aos restantes habitantes deste planeta ou à própria Mãe Natureza.
- Devia-me ter lembrado dessa da última vez que fui apanhado!
- Fala menos, come mais, ok?
- Isso é uma provocação? Queres que te coma?
- Depende do sentido da frase.
- Ai é? Então em que sentido queres?
- Primeiro de tudo, se o fizesses era no sentido do teu desporto favorito. E em segundo lugar, eu referia-me ao teu gelado.
- Mas o teu também tem bom aspecto!
- É igual ao teu, Tom.
- Mas parece melhor!
Pegou na colher dele e roubou um pouco do meu gelado. Indignada, fiz o mesmo com o gelado dele. Depois de comermos os nossos gelados, saímos da gelataria. Não via nem o Bill, nem as minhas amigas.
- Onde é que aqueles gajos se meteram? - perguntei eu.
- Não faço ideia, amor. - respondeu ele.
- Amor?
- Sim. És um amor de miúda.
- Jura...
- Que queres dizer com isso?
- Aquilo que ouviste.
- Que fazemos agora os dois?
- Os dois?
- Vês aqui mais alguém?
- Por acaso, Lisboa está repleta de habitantes, turistas e algumas pessoas que estão aqui de passagem.
- Oh, para além de seres um amor, és parvinha!
- Desculpa?!
- Estás desculpada.
- Idiota! - reclamei eu.
Dei-lhe um valente chapadão no braço ao que ele me agarrou os braços, imobilizando-me. Eu gritava entre risos para ele me deixar em paz.
- Quem é idiota agora? - perguntava ele.
- Tu! - respondia eu.
Repetíamos as mesmas coisas várias vezes. Muita gente que passava, olháva-nos. Mas eu não queria saber dos outros para nada. Até que os dois parámos de rir e ele olhava-me fixamente,e eu fazia o mesmo com ele. E com ele meio debruçado sobre mim, começo a senti-lo cada vez mais próximo, comecei a ver os seus olhos bem de perto, com a sua respiração ofegante de tanto rir a embater na minha pele...
Até que oiço Bill tossir, quase para cima de nós. Oh, Deus. Ele estragou tudo! Quer dizer...eu queria beijar o Tom! E sei que ele queria o mesmo. Ao mesmo tempo, Bill mateve-me os pés assentes na terra. Eu não queria dizer que gostava dele e beijá-lo e estar com ele por um dia, para no dia seguinte (ou dia 20, ou o que raios fosse), ter de lhe dizer: "Foi um prazer conhecer-te, mas não vamos voltar a ver-nos. Adeus". Isso não é mesmo do meu género. Eu sou totalmente "contra" as one-night-stands, que só por sinal ele adora. Nem one-night-stand, nem one-day-stand, nem o raio que o parta-stand. Não estava disposta a curtir com ele. Custasse o que custasse, eu não podia ceder. Eu podia amá-lo, eu podia desejá-lo, venerá-lo, querê-lo e pela primeira vez...tê-lo. Mas ele no fundo era um rapaz de 18 anos normal, como tantos outros. Ok, talvez brutalmente mais bonito e atraente, mas era um rapaz de 18 anos. Aposto que deve haver vários como ele. Não ia deixar de ser quem sou por ele. Se ele algum dia viesse a gostar de mim, iria ser pelo que eu sou. Eu não mudo pelos outros. Eu posso amar o Tom, mas nem por ele eu mudo.
- É só para avisar de que estamos aqui - disse Bill e lançou um enorme sorriso como se não fosse nada com ele.
- Ok, ok... - disse Tom, também ele um pouco envergonhado.
Ficámos o resto dia a curtir por Lisboa até que chegou o momento que nenhum de nós queria que chegasse...a despedida! Como seria agora? Eu simplesmente deixava de os ver?

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