quarta-feira, 14 de maio de 2008

Eu e tu...não dá [Capítulo 10]

- Nicky, eu não sei. Eu parece que preciso de ti aqui, ao meu lado...p'ra ser feliz, p'ra respirar, p'ra viver...quero ficar contigo... - respondeu ele, ao que eu paralizei.
- Tens a certeza? - perguntei.
- Eu quero-te comigo, Nicky. Eu acho...que gosto de ti.
- Eu pergunto-te de novo...tens a certeza?
- Absoluta. Quero-te comigo, Nicky.
Sem pensar, beijei-o. Os meus medos desapareceram por segundos. Mas enquanto o beijava, senti um arrepio percorrer-me a espinha. Insegurança invadia-me de novo. Afastei-me dele de súbito, colocando o meu dedo indicador nos seus lábios, ao que ele me olhou, algo espantado. Os meus medos falaram mais alto naquele momento.
- Que foi? - perguntou-me ele. Deslizei suavemente o meu dedo indicador nos seus lábios, contornando o seu piercing e depois deixando-o descair para o queixo. Depois tapei a cara com as mãos e voltei a destapar para responder.
- Tom, eu tenho medo.
- Medo de quê?
- Ainda perguntas? Tu sempre foste um playboyzinho daqueles de curtes e agora, por mais que confie em ti e queira acreditar no que me dizes, não achas difícil acreditar que gostes de alguém assim tão verdadeiramente?
- Ouve, eu sei que o meu "currículo" não é própriamente dos melhores. Mas para eu dizer isto, para eu ter coragem, é porque preciso mesmo de ti. E não quero que tenhas medo. Só te peço isso, ok? Confia em mim... - acenei levemente com a cabeça e conti as lágrimas. Ele beijou-me de novo.
- E agora? - perguntei-lhe.
- Agora...queres andar comigo? - perguntou ele atrapalhado e mordeu o lábio.
- Claro que quero! - respondi e beijei-o.

(...)

Passadas umas duas horas, chegámos ao Porto. E quem melhor para me esperar no Porto que não a minha mana Su? Chegámos lá e fomos ter com a minha mana no sítio combinado. Creio que as fãs dos TH não sabiam quando e onde chegávamos. Pelo menos, não tínhamos ninguém à nossa espera. A Su desatou logo aos pulinhos quando nos viu e não conteve lágrimas de me ver e do nervosismo de estar com os TH. Saí debaixo do braço do Tom, para correr para os braços da Su, onde chorei de novo como há três dias atrás. Abraçámo-nos com toda a força. Sentia-me segura e feliz nos braços da minha amiga. Quando o Bill abraçou a Su, vi na sua cara uma expressão diferente. Mais feliz, mais radiante, mais concretizada.
Mais tarde, nesse dia, encontrei-me com a Inês e com a Joana. A Inês é uma grande amiga minha e a Joana é a minha escritora preferida! (Escreveu as fics "Não me deixes, como o papá fez..." e "Oito elementos, quatro corações"). Os rapazes foram muito simpáticos e convidaram-nas a elas e a mim (claro xD), para assistir ao concerto do backstage e estar lá com eles. No entanto, naquele dia em que chegámos, eles tiveram uma entrevista para dar. Então nós tivémos de ficar cá fora. Creio que a Su estranhou o facto de eu andar agarrada ao Tom e de vez em quando beijá-lo. Quando estávamos longe deles, puxou-me pelo braço para um canto.
- Auch! Estás-me a magoar! - reclamei eu.
- Desculpa. Então tu agora andas com o playboyzinho? - perguntou ela.
- Eu...sim...quer dizer...sabes que isto não vai durar muito...mais tarde ou mais cedo ele vai-se embora...
- Pois sei, e é por isso que estou preocupada. Para além disso, sabes que...ele é como é. E ia-te fazer sofrer de qualquer maneira...espero que tenhas noção disso. Mas tu tens, não tens, Ni?
- Tenho, Su. Tenho... - respondi, retendo as lágrimas.
Tinha de ser forte. Eu tinha aceitado ficar com o Tom, mas eu sei como ele é e a vida que ele tem. Tenho de me habituar a isso. Tenho de me conformar. É a realidade. A dura, nua e crua realidade. O Tom não ama ninguém, o Tom não mora aqui, o Tom não tem uma vida comum. O Tom usa as raparigas, o Tom é alemão e o Tom é famoso.

(...)

Passou-se o dia, chegou a noite. Depois de um agradável jantar a seis (eu, Su e os rapazes), os rapazes disseram que tinham de ir p'ro hotel. Tom, chegou-se perto de mim, olhando-me nos olhos de uma maneira que eu nunca sei descrever, por mais vezes que ele o faça. Aquilo imobiliza-me, congela-me, hipnotiza-me.
- Vens comigo, não vens? - perguntou-me Tom, com um sorriso doce como eu nunca vira. Olhei para a Su. Ela devia querer que eu ficasse com ela! Mas e agora? O Tom estava ali, mas não estaria dali a dois dias. Ela, estaria sempre no Porto e eu falaria sempre com ela. Não resisti. Mas estava insegura. Acho que a Su percebeu o que se tinha passado e piscou-me o olho, como que para eu ir. Sorri para ela.
- Sim, vou - respondi eu.
- Ainda bem - disse ele com um sorriso no rosto.
Oh, boa. Agora eu só ia ser mesmo uma one-night-stand p'ra ele. Mas desta vez, queria que se lixassem os meus princípios. Eu tinha uma oportunidade com ele. Não pensava desperdiçá-la.
Quando saímos do restaurante, fomos directos para o hotel. Ele foi todo o caminho, dentro do carro, a falar ternamente ao ouvido, a meter-se comigo, a rir-mos... Chegámos e subimos ao piso do quarto.
- Espera - disse-me Tom.
- Que foi? - perguntei.
- Espera aí, cusca!
Abriu a porta do quarto, espreitou nada discretamente e voltou-se para trás com um grande sorriso.
- Ok, podes entrar - disse ele com um sorriso.
- Mas que bicho te mordeu? - perguntei eu, olhando para ele, deixando-o atrás, sem olhar para a frente.
Assim que olhei para a frente, fiquei pasmada.
- What the... - ia dizer eu, mas faltaram-me as palavras.

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