Resolvi ligar à Mondy:
- Olá! De novo... - disse eu
- Olá! Então que se passa?
- Olha os meus pais foram trabalhar e deixaram um bilhete...disseram para eu ir a casa dos gémeos. Eu não acho normal! Achas que eles já chegaram?
- Não faço ideia! Os meus pais também não estão em casa, mas a mim não deixaram bilhete! Oh, espera! Está aqui em cima da mesa...foram ao cinema! Também dizem para eu ir a casa do Bill!
- Desculpa, eu vou e vou agora! Sai de casa!
Desliguei o telefone e saí de casa. A Mondy saiu de casa dela ao mesmo tempo que eu. Fomos juntas. Quando chegámos, não podíamos acreditar no que víamos! A casa dos Kaulitz estava à venda e vimos os gémeos, a mãe e o padrasto a trazer caixas para fora.
- Tom! - disse eu.
- Nicky! - disse ele levantando-se de súbito, pois tinha-se baixado para pousar uma caixa. Vinha agarrar-me e beijar-me. Puxei-o para trás.
- Precisamos de falar...podemos ir até minha casa? - perguntei com cara séria.
- Claro - aceitou ele assustado - mãe, vou com a Nicky e já volto!
Enquanto o Bill e a Mondy matavam saudades um do outro, eu e o Tom fomos até minha casa. Não soltei uma palavra até chegarmos. Assim que abri a porta, subi até ao segundo piso e fui buscar a revista. Trouxe-a rápido para baixo.
- O que é isto? - perguntei eu mostrando-lhe as fotos. Ele fez logo uma cara estranha.
- Eu...Nicky...não queria que isto fosse assim!
- Não?
- Ouve, eu tive várias curtes, foi verdade...mas... - suspirou - eu queria-te esquecer. Entendes? Porque eu já sabia que ia mudar de casa há bastante tempo. Até mesmo quando estivémos juntos no hotel! Mas eu não consegui dizer-te! E pensei que se te esquecesse ia ser menos difícil quando saísse daqui, percebes?
- E por isso, para me esqueceres, traíste-me?
- Não...se bem te lembras acabámos! Essas curtes foram depois da cena do hotel! E mesmo quando eu tinha saído daqui nós tínhamos dito que acabávamos mas que não dizíamos isso porque não queríamos dizer "acabou", lembras-te?
- Lembro...eu sei, nós não tínhamos nada...mas todas as coisas que passámos juntos...isso não fez significado para ti?
- Claro que fez! E ainda faz! - o Tom começou a chorar e ficou num estado como eu nunca o tinha visto. Eu sabia quando ele mentia e ele não estava a mentir.
- Então porquê isto? - perguntei a chorar num tom mais baixo, com a revista na mão.
- Porque...não sei...aconteceu! Eu não pensei! Mas eu juro que eu não queria que tivesse sido assim!
- Ai é? Não é o que diz aqui! Aqui diz que adoras sexo com as fãs!
- Tu não sabes como é ser famoso! Temos de dar esperanças às fãs, mesmo que elas não existam! Temos de manter a fama! Temos de fazer coisas que às vezes não queremos!
- Não me digas que não querias isto, porque querias! E não me venhas com a história dos sacrifícios de famoso! Pensei que o que tínhamos era mais forte que tudo! Tudo! Incluindo a tua carreira!
- Não me faças isto...eu estou muito ligado a ti! - disse ele aproximando-se de mim, acariciando-me a cara.
- Tom, eu quero-te perdoar, mas entende o meu lado! Eu amo-te...
- Eu a ti...sabes que sim...
- Já não sei...
- Sabes...tu sabes... - aproximou-se mais e beijou-me.
- Não...não posso...eu vou levar o meu tempo e preciso do meu espaço para te perdoar...e esse tempo até podia ser curto, mas tu vais-te embora...
- Por isso mesmo! Perdoa-me antes de eu ir...não sei quando te vejo de novo! E se nunca mais te vejo? Preciso que me perdoes...
- Não...eu não te posso perdoar já...vou levar tempo para isso!
- Tu é que sabes... - ele virou-se e ia-se embora.
- Espera! Tom, porque não consegui falar contigo este tempo todo?
- Tive de mudar de número por causa das fãs.
- E porque não estás ainda em digressão?
- Porque os últimos concertos em Espanha foram cancelados por causa de tempestades...
- Ok...
Ele virou-se de cabeça baixa e quando estava quase a sair, levantou de novo a cabeça e disse:
- Amo-te Inês...podes não me perdoar mas não te esqueças disso... - ele nunca me chamava Inês. Só quando era algo extremamente sério.
- Amo-te... - disse baixinho, começando a chorar e tapei a boca. Olhei para baixo e ouvi a porta bater.
(...)
O tempo ia passando. Eu, longe do Tom. Apenas pensava nele. Tinha de avançar a minha vida, mas andava de rastos e mais em baixo que nunca. Porque antes de falar com ele, pensava que podia ser uma mentira. Mas quando a verdade saiu da boca dele, eu fiquei bastante magoada.
Passado algum tempo saiu o novo CD dos Tokio Hotel: "Zimmer 483". Detestava o Tom pelo que ele me tinha feito, mas ia perdoando aos poucos. Mesmo depois da situação com o Tom, eu não deixava de ser fã de Tokio Hotel. Como tal, comprei o CD. Só depois li na internet que a música "Reden" falava de uma relação sexual dele com uma fã.
- Eu não acredito! - disse à Mondy - não bastava fazê-lo, ainda fez uma música!
- Calma...tens de ver...se calhar ele fez isto para te picar! Se pensares bem, tu não o perdoas-te!
- Pois foi...e nós já não temos nada a ver um com o outro...mas dói...
- De qualquer maneira...o CD é lindo! Ouve-o todo!
- Já o fiz...adoro!
- Pois, também eu! Olha tenho de ir para casa...vou logo à net...até logo!
- Até logo... - disse eu deitando-me na minha cama.
Mas eu não apareci na internet. Eu não aguentava mais sem o Tom. Ninguém acreditava mas eu não aguentava sem ele.
"É o meu fim." Pensava eu. "Não faço nada aqui". Era naquela noite. Subi ao topo de um prédio.
Sentia-me triste, desesperada, infeliz, inútil, miserável...e indiferente ao resto do mundo...se aquele era o meu
fim, sentia que ninguém se ia preocupar. Não ia ser grande o escândalo, nem a desilusão e muito menos a perda de alguém como eu. A noite era bastante escura, agradável, de lua cheia, nem quente, nem fria, apenas corria uma brisa e era semelhante à noite no acampamento em que eu olhava a estrelas. Olhei lá para baixo. Era realmente uma altura grande. Deitei uma lágrima. Sabia que tudo acabaria ali. Ali mesmo, naquele momento. Nada restava dentro de mim, excepto o amor pelo Tom. Eu achava que não o merecia. Ele era uma pessoa perfeita de mais para alguém como eu. Que ele preferia as curtes e por isso, ele não me amava. Ele tinha-me traído.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
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