- Meninos e meninas, temos de pegar nas tendas e nas coisas todas e ir embora daqui! - disse ele.
- Este local está mesmo assombrado, não está? Eu sabia! - disse o mesmo rapaz que tnha fugido para a tenda, espreitando por entre o fecho.
- Não! Nada disso! Vem aí uma tempestade! - esclareceu o monitor.
- Mas onde é que vamos ficar a esta hora da noite? Vamos voltar a pé para casa a estas horas? - perguntei eu.
- Não. Vamos despacharmo-nos e vamos para as cabanas duma colónia de férias perto daqui! Eles vão acolher-nos lá já que a colónia só abre daqui a duas semanas. E segundo eles, podemos ficar lá até ao fim do previsto do acampamento.
- Colónia de férias...eu sempre quis ir para uma - cochichei ao ouvido da Mondy.
- Eu não! Colónia faz-me lembrar aqueles filmes das colónias dos putos obesos que andam lá a fazer exercício o dia todo e depois têm de comer aquelas refeições rascas do refeitório e limitarem-se a dormir em cabanas onde se calhar até chove lá dentro! - disse ela dramatizando.
- Mondy, amiga, tu vais para realizadora! Fazes cada filme... - disse-lhe eu abanando a cabeça.
Arrumámos as nossas coisas e lá fomos nós no meio da noite escura, com lanternas, por entre a floresta. O céu limpo que eu tinha contemplado há pouco deitada ao pé do lago, começava agora a ficar com nuvens cinzentas. Eu e a Mondy fomos o caminho todo a comer snacks e a cantar músicas dos Tokio Hotel, completamente a desafinar-mos e bastante alto. O resto das pessoas começou a acompanhar-nos. Era divertido fazer aquilo a meio da noite. Até os monitores cantaram! Depois chegámos à colónia. Aquilo até parecia ter condições.
- Olá a todos! Eu sou o Gordon, o director da colónia. Quero que se sintam bem aqui. Qualquer coisa que precisarem, basta dizerem! - depois de uma breve apresentação disse-nos o que era cada zona da colónia. No dia seguinte poderíamos ver melhor, quando já estivesse de dia.
- Raparigas, cabana à direita é vossa! Rapazes, cabana à esquerda! - disse Nicole.
As ditas cabanas eram como que pequenas casas rectangulares. Subiam-se três degraus onde tinha um pequeno alpendre e tinha uma porta grande com letras que indicavam que era a cabana das raparigas. Por fora era pintada de branco e tinha janelas de madeira, como a porta. Abrimos a porta com um grande entusiasmo para ver como era lá dentro. Paredes e chão com tacos de madeira, vários beliches, mesas de cabeceira e um grande armário no fundo que ocupava toda a parede. Esse armário era dividido em portas como se fosse um enorme cacifo. Calçámos as pantufas, tirámos as violas e os snacks e mandámos as malas para dentro do armário. Nós e as outras raparigas resolvemos fazer directa. Lá fora começava a chover. O céu cheio de nuvens, a chuva que caía forte. Lá dentro era a animação total. Snacks por todo o lado e eu e a Mondy a tocarmos e todas nós, raparigas, a cantarmos.
O acampamento tinha acabado. Tínhamos passado os últimos dias na colónia. Foram óptimos dias na companhia de imensos jovens. Fiquei com o contacto da maioria. Podia ser que no próximo ano nos vissemos de novo. Tinha adorado e estava ansiosa por voltar a casa. Mais cerca de duas semanas ou três e o Tom e o Bill voltavam a casa.
Como estávamos na colónia e não havia estradas de acesso para lá, tivémos de vir de autocarro. Um autocarro só para nós! Todos se divertiam mas estávamos completamente exaustos de tanta diversão dos últimos dias. O Tom, como sempre, invadia a minha mente nos melhores momentos. Apenas uma frase na minha cabeça: "Como te podes estar a divertir tanto se o Tom não está aqui?". Queria esquecê-lo, mas parecia não conseguir.
Finalmente, o autocarro parou ao pé da minha casa e da Mondy. Saímos com toda aquela tralha às costas. Parecia que pesava um pouco menos à vinda. Se calhar era de termos comido os snacks todos!
- Até logo, Mondy! - disse eu atravessando a rua para ir para a minha casa.
- Até logo! - disse ela abrindo o portão da casa dela.
- Mãe! Pai! Cheguei! - gritei eu na esperança que me ouvissem. Só depois reparei num bilhete que tinham deixado em cima da mesa.
"Filha, eu e o pai tivémos de trabalhar hoje, apesar de ser sábado. Voltamos por volta das oito. Tens comida dentro do micro-ondas, basta aqueceres. É verdade...acho melhor ires ao pé da casa do Tom...depois vês porquê...beijos,mãe"
- Porque raios tenho de ir a casa do Tom? Será que ele já chegou? - falei comigo mesma entusiasmada.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
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