terça-feira, 8 de julho de 2008

Para Sempre Contigo - Capítulo 21

Aquele dia passou. O Jim olhava-me vezes sem conta e tentava-se aproximar de mim. Mas eu não deixava. À noite, estavam todos de novo em volta da fogueira como na noite anterior. Eu precisava de me afastar dali. Fui para a beira do lago. O céu estava escuro mas nenhuma nuvem. Lua cheia, linda. As estrelas brilhavam imenso. Os outros estavam distantes. Podia ouvir de vez um quando uma gargalhada ou alguém a falar mais alto, mas o barulho deles não me incomodava. Estavam realmente distantes. Deitei-me no chão. Lembrei-me de súbito de uma vez que tinha ficado assim detiada com o Tom a observar as estrelas. Depressa comecei a chorar. Ele agarrou-me a mão e disse-me que me amava. Ele fazia sempre aquilo, mas aquele era um dos momentos que jamais iria esquecer. Peguei na viola e comecei a tocar e a cantar, ainda a chorar.


[Sandy e Junior - Inveja]

Eu só quero estar no teu pensamento
Dentro dos teus sonhos
E no teu olhar
Tenho de te amar
Só no meu silêncio
Num só pedacinho de mim
Eu daria tudo pra tocar você
Tudo pra te amar uma vez

Já me conformei
Vivo de imaginação
Só não posso mais esconder

Que eu tenho inveja do sol que pode te aquecer
Eu tenho inveja do vento que te toca
Tenho ciúme de quem pode amar você
Quem pode ter você pra sempre


Sabia bem estar ali sozinha, lembrar-me dele. Era muito bom estar ali no acampamento rodeada de toda a gente porque nunca gostei de me sentir sozinha. Mas a verdade é que como toda a gente, eu precisava dos meus momentos mais solitários. Precisava de estar sozinha por um bocadinho e pensar naquelas coisas que só eu podia pensar. Pousei de novo a viola do lado e vi atrás de mim quem eu não esperava. O Jim.
- Que estás aqui a fazer? - perguntei eu.
- Vi-te sozinha...
- Se estou sozinha é porque quero estar sozinha...
- Então eu vou embora...
- Nem sei porque vieste... - senti-me indelicada ao dizer isto mas foi o que saiu.
- Desculpa... - ele foi-se embora. Fiquei com um pouco de pena dele. Passado um pouco chegou a Mondy.
- Nicky, vi o Jim vir aqui e depois foi-se logo embora e saiu daqui mesmo em baixo! Que lhe disseste? E porque estás a chorar?
- Eu só queria ficar sozinha...isto lembra-me o Tom..lembras-te das vezes que ficávamos no parque até muito tarde a ver as estrelas? Tenho saudades disso...
- Também eu, mana...posso-te fazer companhia?
- Claro... - ela sentou-se do meu lado e ficou a olhar as estrelas comigo.
- "Wenn nichts mehr geht, werd' ich ein engel sein, für dich allein...und dir in jeder dunklen nacht erscheint..." - comecei a cantar baixinho e a Mondy acompanhou-me - "...und dann fliegen wir weit weg von hier...wie werden uns nie mehr verlier'n..."
Pouco depois voltámos para junto de todos e depois fomos dormir.
Acordámos de manhã. Preparámo-nos e tivémos mais um dia entusiasmante junto de todos. À noite, repetia-se o costume da fogueira. Mas desta vez foi diferente do que esperávamos. Começámos a ouvir ruídos estranhos da floresta e coisas estranhas começaram a acontecer. Coisas caíam, coisas faziam barulho...era muito estranho! Estávamos todos cheios de medo. Eu agarrada à Mondy e mais umas amigas agarradas. Era estranho! Primeiro a fogueira apagou-se, depois as panelas de metal começaram todas a cair. Estávamos cada vez com mais medo. Os monitores queriam-nos confortar e diziam que não era nada, mas estavam todos assustados. Estava lua cheia, ouvimos um lobo na floresta e ainda por cima tinham estado a contar histórias de terror! Estavam todos arrependidos.
- Pai nosso que estais no céu... - uma rapariga rezava de joelhos.
- Desculpem se fui um mau menino! Eu prometo portar-me bem, mas por favor não me comam! - gritou um dos rapazes, que era baixo, gordo, com o cabelo aos caracóis e tinha uma voz bastante cómica. Todos se riram.
- Não é para tanto, pessoal...tenham calma! Estão todos assustados por nada...amanhã já nem se lembram! - disse eu tentando confortar toda a gente. Já tinha tido momentos muito assustadores, mas depois acabava sempre por me rir. Ouvimos de súbito ramos a estalarem na floresta e depois de novo o lobo a uivar.
- O lobo é meu cúmplice...e tu - disse eu com cara de má e num tom maléfico apontando para o rapaz que tinha gritado - vais servir de jantar a todos!
- Não! Não! Não! - o rapaz começou a correr, quase a chorar. Abriu apressadamente o fecho da sua tenda e meteu-se lá para dentro. Quando tentou fazê-lo, caiu e ficou apenas de rabo para o ar. Da cintura para cima dentro da tenda, da cintura para baixo de fora. Todos se riam. Depois rastejou até estar completamente dentro da tenda e fechou o fecho apressadamente.
- Coitado do rapaz, Nicky! - disse a Mondy cheia de pena dele.
- Eu só estava a brincar! Todos viram que eu estava a brincar!
- Pois, mas o pobre rapaz ficou aterrorizado! - disse Mary.
- Vamos mas é cantar! - disse eu animada pegando na viola e começando a improvisar algo animado. Depressa todos esqueceram o assunto da "floresta assombrada". O telemóvel do Tom, o monitor, tocou. Ele afastou-se para falar. Quando voltou trazia uma cara um pouco espantada.

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