No dia seguinte acordámos, na mesma posição. Tinha o corpo um pouco dorido. Talvez por ter estado a noite inteira na mesma posição. Ao menos, dormi bem nos braços dele.
Fiquei a vê-lo dormir, e, pouco depois, ele acordou.
Ficámos a olhar-nos nos olhos, permanecendo em silêncio.
- Casa comigo - disse ele.
- O quê? - perguntei, à nora.
- Casa comigo - repetiu ele.
- Deixa-te de brincadeiras, Tom.
- Casa comigo, Ni - repetiu ele uma terceira vez.
Levantou-se da cama e tirou da gaveta uma caixa de veludo vermelha.
- Casas comigo, Ni?
- Tom, eu mal te perdoei... - ia dizer eu, mas ele interrompeu-me:
- Basta um sim ou um não. Casas comigo?
- Tom, eu...
Interrompeu-me de novo mas desta vez com um beijo. Apanhou-me mesmo de surpresa. Terminou aquele apaixonado e espontâneo beijo e olhou-me nos olhos. Lançou-me aquele olhar terno que só ele sabia fazer.
- Sim ou não? - disse ele, com um tom sério. Mantive-me em silêncio. Os seus olhos brilhavam ao olhar para mim. - Por favor, Ni...antes que seja tarde...
Respirei fundo e por fim, respondi com um sorriso:
- Sim.
Tom sorriu também e beijou-me de novo.
Colocou-me o anel no dedo. Um anel lindo. Uma aliança prateada. A data que estava inscrita por dentro, podia ser do dia em que começámos a namorar. Mas não. Dizia "Tom & Nicky 16-03-2008".
- Porquê a data do primeiro concerto dos TH em Portugal? - perguntei.
- Porque foi a primeira vez em que olhei para uma fã de uma maneira especial. Uma fã que hoje não é só uma fã. É a rapariga que eu quero para sempre. A rapariga que eu soube desde o princípio que seria aquela com quem eu queria ficar. E eu...não sei quanto a ti, mas no casamento, eu quero tatuar as alianças.
- Tatuar? Tens noção de que se nos quisermos separar, continuamos com a tatuagem?
- Mas eu não me quero separar de ti...nunca. Eu tenho a certeza de que quero ficar contigo até ao meu último dia,
até à minha hora, até ao meu último minuto, segundo. E quando for embora, levo-te comigo na mesma. Como é que é? Tatuagem?
- Tatuagem - respondi com um sorriso.
(...)
[ 16 de Março de 2012 ]
- Bill, nós temos de ir, vai chamar o Tom! - pediu a Amy, uma última vez.
- Ok, estou a ir! - respondeu ele, encaminhando-se até ao nosso quarto de hotel.
Eu e Amy saímos do hotel e entrámos rapidamente no carro que nos esperava.
- Tom, despacha-te! - gritou Bill, à porta do quarto. - Não estás a dormir pois não?
- Oh, Bill...só mais cinco minutos!
- Tom Kaulitz, nem no dia do teu casamento consegues acordar cedo?! - barifustou Bill. - Vou entrar e é bom que estejas a levantar-te! A tua noiva já se foi embora!
- Está bem, Bill...agora dá-me mais cinco minutos!
- Tom! Vou entrar!
Bill quase que arrombou a porta. Lá dentro, Tom estava em frente ao espelho a ajustar a sua gravata.
- Wow...estás...diferente! - disse Bill em tom de troça.
- Estou bem? - disse Tom, virando-se para Bill.
- Muito bem, mano. Sabia que um dia ias perceber o que era o amor, e ias atinar. Ainda bem que foi assim. Só quero que sejas feliz. - disse Bill. Caminhou até ao pé do Tom e abraçou-o, fortemente.
Rapidamente quebraram o abraço.
- Despacha-te! Temos de ir! - ralhou Bill, uma última vez.
Os dois saíram do quarto de hotel e meteram-se no carro que os esperava. Foram até ao local do casamento, seguidos do carro que me levava a mim e à Amy.
(...)
Entrei o local do casamento. Adivinhem onde era...sim. No pavilhão Atlântico. Estava tudo mais que perfeito e preparado para o casamento e para o copo de água. Era tudo um sonho.
E lá entrei eu, com o meu vestido inovador. Incrivelmente, com o pavilhão Atlântico quase cheio só de convidados. Tinha ido toda a gente. Todos os nossos parentes, amigos, pessoas que trabalhavam connosco...toda a gente.
O meu vestido era preto e vermelho, estilo gótico. Igualzinho ao vestido de Helena no videoclip dos My Chemichal Romance. Era o meu vestido de sonho.
Quando vi o Tom...alucinei. Ele tinha ido com um smoking largo (claro), uma camisa branca (também ela larga), uma gravata preta um pouco descaída, ténis e chapéu pretos (mesmo ao estilo dele).
E lá ficámos nós, a dizer os votos de casamento enquanto nos tatuavam as alianças. Parecia tudo um sonho.
A festa, ele, os convidados...era tudo perfeito.
*****Flashbacks*****
*******************
(...) Começo a ouvir um barulho como se fosse o comboio a trabalhar, apesar de este estar parado. Ouve-se o barulho do comboio cada vez mais rápido e depois era como se o comboio chocasse. Depois ouvia-se uma voz grave dizendo: "Wilkommen in 1000 Hotels European Tour". Ouvem-se acordes vindos da guitarra do Tom começando a tocar "1000 Meere" e acendem-se algumas luzes no palco. Dá para ver que Gustav está já sentado na bateria, em frente ao comboio. Tom sai do comboio destruído, tocando e lança um enorme sorriso às fãs portuguesas, olhando em volta. Depois sai Georg e faz o mesmo. Até que finalmente, o Bill começa a cantar os primeiros versos e sai do comboio depois de o fazer. (...)
(...) A certa altura, em "Raise your hands", Tom aproxima-se mais do público. Ele sorriu e olhou para mim. Senti um aperto no coração. Juro que pensei que ia desmaiar! Nada ia dentro da minha cabeça excepto o que eu estava a ver. A imagem era inexplicável e a sensação, ainda mais. Deixo de sentir todas as fãs que me apertam, me empurram e metem braços por tudo quanto é lado, deixo de ouvir os seus gritos, deixo até de ouvir bem a música e oiço a voz dele bem perto do público cantando: "Raise your hands together!". Voltou a sorrir para mim, ajeitou o auricular, pegou na guitarra, deu meia-volta e foi tocar para o pé do Bill. (...) Depois disso, Bill aproxima-se das fãs do meu lado e eu consigo tocar na sua mão. Tentei agarrá-la, mas falhei. Só comecei a ver braços à minha frente. Montes de fãs parecia que o queriam devorar. (...)
(...) Reparei que tinha um piercing. Curioso...no mesmo lugar do Tom. Piercing igual ao do Tom e...hey...ele sorriu para mim! Estranho...o sorriso dele também é semelhante ao do Tom. Vi sair de dentro do seu capuz a ponta de uma rasta. Wait a minute...voz familiar, piercing como o do Tom, sorriso como o do Tom, alto como o Tom, a falar como o Tom, rastas como o Tom... Não! Eu queria falar, mas não! Eu não conseguia! Eu queria dizer alguma coisa! Era de certeza o Tom, era a minha oportunidade! Mas eu não conseguia falar. Eu estava imóvel à frente dele.
- Tom? (...)
*Nicky e Tom conversavam acerca das suas one-night-stands, na gelataria, no dia em que se conheceram*
- Para quê satisfazer só uma pessoa, não é? - perguntou Tom, com um sorriso atrevido.
- Não - respondi eu, num tom sério, franzindo a sobrancelha.
- Não? - perguntou ele, tirando o sorriso que tinha do rosto, trocando-o por um ar sério.
- Não. Tom, tu tens dezanove anos, quase vinte. Devias ter a mínima noção do que é o amor. 'Tás mais que na idade de atinar!
- Oh, por favor...
- Por favor nada. Não entendes que magoas várias pessoas com isso?
- Magoar? Não magoo nada. Eu faço o trabalho bem feitinho - disse ele, em tom de troça.
- Magoar sentimentalmente, Tom. Não percebes que há pessoas que te amam e que se preocupam contigo, mais do que tu possas imaginar? Assenta os pés na Terra. Tu já não és propriamente um puto. Devias saber que há pessoas que te amam de verdade. E tu magoas essas pessoas.
- Pessoas como quem? - perguntou ele, cruzando os braços, pensando que eu não ia responder.
Atirei fortemente a colher para dentro da taça do gelado
- Pessoas como eu, Tom.
Levantei-me subitamente e virei-lhe costas. Creio que ele não esperava aquela resposta.
- Tu amas-me? - perguntou ele, surpreso.
Mantive-me em silêncio, virei costas e fui pagar os gelados. Quando voltei, desviei a conversa, na tentativa de que ele se esquecesse do assunto.
*Nicky queria ir ao WC mas Tom insistia em ficar lá dentro*
- Tom, vá lá! - implorava eu.
- Ni, tem calma! Estou a fazer a barba!
- Qual barba? Sai mas é daí!
- Epá, espera!
- Não espero nada! Se esperar faço aqui!
- Tens bom remédio!
- Não vais sair, pois não?
- Não.
- Ok. Eu faço contigo aí dentro.
Entrei na casa-de-banho e fechei a porta.
- Ai de ti que olhes! - ameacei eu.
Baixei as calças e ia baixar os boxers quando o menino Tom resolveu mandar um piropo:
- Tens uns boxers todos giros...justos...aos coraçõezinhos...
- Tom, eu disse-te para não olhares! Agora és um homem morto!
- Não, ainda não. Estou aqui vivo para apreciar o que os teus pais fizeram...
Começou a mexer com a língua no piercing e a olhar-me de alto abaixo.
- Olha lá, nunca viste e queres ver melhor?
- Aham...
(...) Eu gritava entre risos para ele me deixar em paz.
- Quem é idiota agora? - perguntava ele.
- Tu! - respondia eu. (...)
(...) - Eu quero voltar a ver-te. - disse Tom, pegando-me nas mãos e olhando-me séria e fixamente. (...)
(...) *Ao telefone*
Nicky: Estou?
Tom: Hallo... *notei algo diferente na sua voz*
Nicky: Olá, Tom. Tudo bem?
Tom: Nem por isso, Nicky. Temos um problema.
Nicky: "Temos"?
Tom: Sim. Eu e tu. E não sei como resolver.
Nicky: Então?
Tom: Eu e a banda temos outro concerto agendado cá em Portugal, de última hora...no Porto. (...)
(...) Estávamos entre o terceiro e o quarto andar. Percebi que não tinha rede ali. O Tom também não devia ter. Pior que isso...o alarme do elevador velho (aquele onde estávamos) estava avariado! Já aflita, virei-me para trás, onde percebi que Tom também não estava lá muito calmo.
- Tom...estamos fechados.
- O quê? Fechados aqui? - perguntou Tom
- Sim, aqui no elevador. Sabes o pior? Os telemóveis não têm rede e o alarme não funciona! E agora?
- Agora? Beija-me... (...)
(...) - E ganhei! - gritei eu pela quarta vez. Tinha ganho a todos os rapazes.
- Como? - perguntou Georg.
- Eu sou uma profissional. Vocês não têm vergonha? Perder assim com uma rapariga...se bem que com uma rapariga profissional! - respondi eu.
- Tu és incrível! - exclamou Tom, olhando-me boquiaberto.
- Aos olhos de quem me ama, não é, Tommy?
Olhámo-nos nos olhos e desmanchámo-nos a rir. Ninguém percebeu o porquê. Para ser sincera, nem nós. (...)
(...) Segurava-se com os braços para não fazer demasiado peso. Olhava-me fixamente, com o mesmo desejo dos dias anteriores. Deixei de ouvir tudo à minha volta e ouvia apenas o meu próprio coração bater. Sentia a sua respiração em cima de mim e creio que ele devia sentir a minha. Senti o meu coração parecer que quase saltava do peito. Via bem de perto todos os mais pequenos traços do seu rosto, todos os tons de castanho nos seus olhos... Ele beijou-me. (...)
(...) - Auch! Estás-me a magoar! - reclamei eu.
- Desculpa. Então tu agora andas com o playboyzinho? - perguntou ela.
- Eu...sim...quer dizer...sabes que isto não vai durar muito...mais tarde ou mais cedo ele vai-se embora...
- Pois sei, e é por isso que estou preocupada. Para além disso, sabes que...ele é como é. E ia-te fazer sofrer de qualquer maneira...espero que tenhas noção disso. Mas tu tens, não tens, Ni?
- Tenho, Su. Tenho... - respondi, retendo as lágrimas. (...)
(...) Deitei a minha cabeça sobre o seu peito.
- Eu amo-te, Tom... - sussurei eu.
- Han?
- Disse que te amo.
- Han?
- Amo-te.
- O quê?
- Amo-te, idiota!
- Ah, ok...
- Estúpido...
- Porque é que tu me chamas-te estúpido?
- E porque é que tu só me ouves quando eu te insulto?
- Olha, sei lá...talvez porque o dizes com mais convicção.
- 'Tás a gozar?
- Han?
- Opá!
Indignada, atirei-lhe uma almofada à cara. (...)
(...) Acordei, de manhã. Não tinha o Tom ao meu lado. Mas...porquê? Em vez dele, apenas estava lá um bilhete. "Desculpa, mas tive de ir embora. Voltei para Lisboa. Beijos, adoro-te". (...)
(...) - Foste tomar banho? - perguntei.
- Não, acabei de me despir, ia agora tomar banho...tu também tens de tomar banho, não?
- Ya...tás numa de poupar água?
- 'Bora - respondeu ele com um sorriso. (...)
(...) Nós, no aeroporto. Não podia haver cenário mais triste, cinzento e sombrio na minha vida. A despedida. Porque é que tudo o que é bom, acaba depressa?
- E agora? - perguntei, nos braços dele, chorando como nunca.
- Agora...esperamos. Tu tens quinze anos, não podes vir viver comigo...nem eu me posso mudar para aqui, assim de repente. Tens de entender que a minha carreira é uma prioridade.
- Eu entendo isso, e, tanto como entendo, respeito.
- Ainda bem que é assim.
- Mas agora...como ficamos? (...)
(...) Ao fim de alguns minutos, parei de mexer a perna, que já me doía. Não me contive. Eu sou mesmo idiota. Soltei uma risada histérica. Depois saltei para o chão, rebolei deitada e não parava de me rir. Ficou tudo a olhar para mim.
- Ok...foi desta... - disse Roxy.
- Senhoras e senhores, Nicky Maria passou-se de vez! - disse Bea espantada com a minha reacção.
O nosso manager só se ria. Mandei um pulo e pus-me de pé. Fiz uma cara séria como se nada se tivesse passado e retomei o meu lugar, já mais calma. (...)
(...) - Nicky! - exclamou ele. Dirigiu-se a mim com um sorriso enorme e olhos brilhantes. - É tão bom ver-te!
- Também é bom ver-te, Tom - respondi eu, e retribuí o abraço. (...)
(...) Tom começou logo a enxutar o Georg dali.
- Pssht! Oh, tu, toca a sair daí! - exclamou ele, dando uma valente chapada nas costas do Georg.
- Calma lá! - exclamou Georg levantando-se.
- Oh, inteligência, porque não vens para este lado? - perguntei eu, fazendo sinal que do meu lado esquerdo estava um lugar vago.
- Ah, pois... - disse ele baixando e coçando a cabeça. (...)
(...) - E o que ficamos aqui a fazer?
Devolvi o sorriso atrevido, lancei-lhe um olhar comprometedor e passei suavemente o meu dedo na sua perna. Ele começou a mexer no piercing com a língua.
- O que quiseres... - respondeu ele finalmente.
- Tu sabes o quanto me afectas com isso não sabes? Tu fazes isso propositadamente...
- Isso o quê? - perguntou ele com ar angelical.
- Mexeres no piercing com a tua língua...
- Eu não sabia que isso te afectava. Mas agora sei como te afectar... - disse ele e começou a fazer aquilo de novo.
- Meu Deus, a sério, pára...esse piercing, Deus...
- Que tem? É de metal...é normal... - disse ele provocando-me, aproximando-se cada segundo um milímetro mais.
- É? Deixa ver... - disse eu impulsivamente.
Eu não fazia ideia do que estava a fazer. Pus a minha mão no seu pescoço e puxei-o para mim, beijando-o. (...)
(...) Os nossos corpos estavam practicamente colados. Sentia atrás de mim o seu corpo quente e firme. Fechei os meus olhos e mordi o lábio.
- Diz-me uma música para eu cantar para ti... - sussurou ele ao meu ouvido.
- Fazias isso?
- Sim...
- Então..."Ich bin nich' ich".
- "Ich bin nich' ich wenn du nich' bei mir bist...bin ich allein...und das was jetzt noch von mir übrig ist...will ich nich' sein...draußen hängt der Himmel schief und an der Wand dein Abschiedsbrief...ich bin nich' ich wenn du nich' bei mir bist...bin ich allein"... (...)
(...) Limpou-se com a toalha e suspirou. Bebeu um gole de água, olhou-me nos olhos e repetiu o sorriso. Pôs água na sua mão e atirou à minha cara.
- Hey! - reclamei eu indignada.
- Está calor! - exclamou ele e riu-se.
- Ai estás com calor?
- Sim! Eu sou uma brasa, não sabes?
- Sei, sei...se é guerra que queres, é guerra que te dou!
Peguei noutra garrafa de água e comecei a atirar-lhe água. Os dois brincámos durante um bocadinho. Depois ele começou a correr atrás de mim com o pouco de água que restava nas suas mãos. Comecei a correr nem vi para onde. Ele não conseguiu atirar-me a água e sem querer, caiu em cima de mim. Olhou-me nos olhos, intensamente. Só depois reparei onde estávamos. Em cima do palco! Alguns fãs gritavam por estarmos ali. Olhámos um para o outro sem saber o que fazer. Ele levantou-se, ajudou-me a levantar e puxou-me pela mão. Corremos os dois até ao backstage, onde nos ríamos compulsivamente do que tinha acabado de acontecer. (...)
(...) - Sabes, tenho estado a pensar. Esta cena das "one-night-stands", algum dia tem de acabar - disse ele.
- O quê? - parei subitamente de misturar a massa do bolo e olhei para ele com um olhar bastante chocado.
- Ouviste bem.
- O Tom Kaulitz quer parar com as "one-night-stands"? Ai, Virgem Santíssima, que eu morro hoje! - exclamei eu, revirando os olhos e continuando a mexer a massa do bolo.
- Não gozes! Tipo, eu estou a ficar crescidinho, e algum dia tenho de estabilizar. Mas ao mesmo tempo penso que sei lá...é tão estranho amar alguém. Não sei descrever.
- O amor é indescritível.
- Como o que eu sinto por ti.
- Han? - parei novamente de mexer a massa, arregalando-lhe os olhos.
- Tu ouviste.
- Explica-te melhor.
- Eu amo-te, Ni.
- Se for como da outra vez, podes esquecer, Tom...
- O que é preciso eu fazer para acreditares em mim? Faço tudo!
- Podes começar por arranjar-me uma forma para eu pôr o bolo no forno, ok?
- Não desvies o assunto - disse ele, enquanto tirava uma forma do armário da cozinha. - Eu gosto mesmo de ti, ok?
- Falamos disto depois.
- Porquê depois?
- Porque vou levar tempo até acreditar nisso outra vez!
- Tu é que sabes...
- Pois sei. Por favor, dá-me tempo e espaço. Só assim poderei acreditar de novo em ti. (...)
(...) Vidente: Os meninos namoram há quanto tempo?
Nicky: Nós...
Tom: Não namoramos.
Vidente: Porque não?
Tom: Porque...porque...e porque sim?
Vidente: Vocês são o amor verdadeiro um do outro. Tudo o que vocês procuraram está dentro um do outro.
Nicky: Quem?
Vidente: Vocês devem ficar juntos, se querem ser felizes.
Tom: Devemos?
Vidente: Devem. Se assim o fizerem, serão felizes...para o resto das vossas vidas.
Nicky: Ok, Tom. Vamos dar de frosques!
Tom: O quê? Agora?
*Tom segurou a minha mão como que para eu não me ir embora. Ficámos ali mais um pouco*
Tom: O que nos vai acontecer no futuro?
Vidente: Depende do que decidirem agora. Se ficarem juntos, como já disse, serão felizes. Quem sabe, terão filhos.
Nicky: Filhos? Eu? No way!
Vidente: Isso diz a menina. Se fosse um filho dele, não se importava pois não?
Nicky: Eu...
*Tom sorriu para mim*
Vidente: Menina, não se engane a si própria. Você sabe que ele a ama tanto como você o ama a ele. As respostas estão dentro de si. Você terá de admitir a verdade a si própria e encará-la, para depois então, aceitá-la. (...)
(...) Pegou em mim e levou-me ao colo para a minha cama, onde me deitou. Sentou-se ao meu lado.
- Tom, eu tenho medo de me relacionar contigo, porque sofri muito. Estás farto de saber isso, e eu também. Mas eu amo-te muito e mais que tudo. E já é assim há muitos anos.
- Nicky, toma um banho e amanhã falamos, quando estiveres melhor.
- Não! Eu estou bem. Eu bebi, mas eu sei o que digo!
- Não, não sabes!
- Sei, sim! Tu é que não sabes nada! Eu amo-te, Tom. Eu amo-te! - gritava eu, a chorar. Ele agarrou-me os braços e sacudiu-me.
- Nicky, pára! Olha para mim!
Parei e olhei-o nos olhos. Percebi que os seus olhos me olhavam com desejo, assim como os meus o olhavam a ele com o mesmo desejo.
- Tu não estás bem, Nicky. Amanhã falamos, ok? - perguntou ele, bastante sério.
- Espera...
- O que foi?
Sem pensar, beijei-o. (...)
(...) - Aposto que não és capaz de ir comigo ao banho, sem olhares para mim! Fazemos assim, vamos os dois ao banho...se eu olhar, pago-te. Se tu olhares, pagas-me! - disse ele.
- Então fazemos isto diferente - disse eu com um sorriso maroto, pondo dinheiro em cima da mesa. - Vamos os dois ao banho e eu pago-te...para tu me deixares olhar!
- A miúda sabe negociar! - disse Georg. Bill riu-se. Estavam todos chocados.
- Parabéns. - disse Tom.
- Parabéns?
- Sim. Para além de seres a primeira miúda a deixares-me sem palavras, acho que temos um acordo!
- Então...vamos? - perguntei.
- 'Bora! - disse ele, levantando-se. (...)
(...) Secávamo-nos os dois com as grandes e fofas toalhas de banho.
- Nicky, quero-te dizer uma coisa.
- Agora não, Tom.
- Mas...
- Esquece. Eu e tu, não dá... (...)
(...) - Que se passa? - perguntou ele.
- Sabes do que quero falar. Preciso que me digas agora, antes que seja tarde. Tu amas-me realmente?
- Nicky, eu tentei dizer-te isso toda a digressão.
- Tom...por favor! Não preciso ouvir-te dizer um "eu tentei dizer-te", mas um "eu amo-te" soava bem!
- Nicky... - ele permaneceu em silêncio.
- F*da-se, Tom! Não percebes? (...)
(...) - Que se passa? - perguntei. Ele manteve-se em silêncio. - Bill, eu perguntei-te uma coisa. Que se passa?
- Eu...quer dizer...o Tom...
- O que tem o Tom?
- Entra, Ni.
Entrei e pousei as malas no chão. Ele pediu que me sentasse e eu assim o fiz.
- O que se passa com o Tom? Ele já não gosta de mim?
- Não é isso. Há dois ou três dias atrás ele amava-te, e agora não é diferente. Mas...o Tom...
- Desembucha, pá! Tás-me a deixar nervosa!
- Ele...desapareceu. (...)
(...) - Tom! - gritei eu com as poucas forças que me restavam.
Saí disparada da ambulância, ainda a cambalear. Abracei-o com toda a minha força. Ele fez-me um sorriso um pouco esforçado.
- Nicky... - disse ele, abraçando-me com a pouca força que tinha.
Sentir de novo o seu corpo junto ao meu, as suas mãos tocarem-me, a sua voz dizer o meu nome...era tudo fantástico. Parecia tudo surreal, depois do sucedido.
- Que fazes tu aqui? - perguntou-me ele.
- Eu amo-te, Tom. E quero ficar contigo.
- Eu também te amo, Ni...
- Nunca mais me faças isto, estúpido...
- Estúpida...
- Estúpido-mor...
- Ok, ganhas-te. - os dois rimos. - E agora?
- Agora vais para dentro da ambulância.
- Não é isso...eu e tu...?
- Eu e tu...já dá... (...)
**************
E entre memórias, tinham acabado as tatuagens.
(...)
Mais tarde, aconteceram várias coisas:
- Voltei a formar uma banda e voltei a cantar como fazia antes;
- Eu e a Laura (aquela rapariga que tinha curtido com o Tom) ficámos grandes amigas;
- Bill e Amy também casaram e também tatuaram as alianças;
- Michael, para minha tristeza, morreu;
- Os Tokio Hotel continuaram com um grande sucesso por todo o mundo;
- Eu e Amy ficámos grávidas...de gémeos.
(...)
- São tão lindos... - dissémos eu e o Tom ao mesmo tempo, contemplando os nossos filhos.
- E tu que disseste que nunca havias de ter filhos... - disse ele.
- Oh...mas agora...temos os bebés mais lindos do mundo.
- Sim, são lindos. São tão perfeitinhos...
Eu e o Tom e o Bill e a Amy tivémos casais de gémeos. Eu e o Tom tivémos a Ann Kathrin e o Michael (em homenagem ao Michael, antigo manager das Sweet Sorrow). Bill e Amy tiveram a Sophie e o Peter.
E com os nossos altos e baixos, tivémos aquilo que todos queriam. Fomos felizes, até ao fim.
THE END \o/
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