quinta-feira, 4 de setembro de 2008

We are together...Always - Capítulo 23

-Que se passa?- Entrou finalmente Bill.

-Nada, não olhes! - tentou Cê disfarçar, enquanto lhe tapava os olhos. - Cárol - Lançou-lhe um olhar fulminante - Vai-te vestir caraças!

-Calma. É como se estivesse de bikini. - Recebeu outro olhar. - Ok, eu vou. - Agarrou as suas coisas e correu para a casa de banho.

-Eu dou-te o bikini - resmungou uma voz vinda da ombreira da outra porta lateral. Tom avançou cauteloso, com a sua toalha turca em volta da cintura. Parecia realmente irritado. - Vai-te vestir!

-Heeey. É preciso tanta coisa? - Disse chateada com tantos avisos que estava a receber.

-Não sei... Não consigo ver nada - Interviu o Bill, ainda com os olhos vendados com as mãos da Cê.

-Cala-te pá! - resmungou novamente o Tom. - Ainda bem que não vês nada, senão acontecia como no outro dia dos provadores, não era?

-É isso, dá-lhe Tom! - Riu a Cê, que se divertia com a estupidez de Bill e as resmunguices sem fundamento do seu gémeo.

-Mas..? Como é que sabes disso?

-A Cátia contou-me... Ela conta-me muitas coisas sabias? - Interrogou Tom retoricamente, com um sorriso falso no rosto. Empurrou Cárol para dentro da casa de banho e ficou plantado a porta, sendo vigiado de perto por Bill, que ficara vermelho de raiva com as declarações do outro.

-CÊ!- Gritou. - Tinhas de lhe contar?

-Não pediste segredo, pois não ? - retribuiu ela em tom azedo e subindo os degraus das escadas, procurando assim o quarto onde iria ficar.

Bill seguiu-a, sempre ralhando em voz alta.



-Já ‘tás despachada?! - Tom bateu cuidadosamente na porta da casa-de-banho, aguardando resposta.

-Aguenta aí. O soutien desprendeu e não consigo apertá-lo.

-Já sei que queres a minha ajuda. - Empurrou a porta com delicadeza. A casa de banho de azulejos resplandecentes apresentava-se limpa e bem iluminada como sempre, mas agora pairava uma nova fragrância no ar, bastante agradável por sinal. Cárol colocou-se de costas para ele, e Tom apertou o soutien sem qualquer esforço. Com esse gesto, apercebeu-se que a fragrância contagiante provinha da pele dela.

-Cheiras bem. - Comentou, depositando-lhe um beijo no ombro desnudado.

-Obrigado..- Disse e depositou um beijo nos lábios de Tom.

-De nada. - Esboçou um ligeiro sorriso e afastou-se -tenho de me vestir, volto já.

-Espera! - Chamou-o.

Tom interrompeu a sua corrida pelas escadas polidas de forma tão abrupta que quase caiu delas abaixo. Quando finalmente se recompôs, inclinou a cabeça para baixo e fitou Cárol, que estava especada na ombreira da porta de casa de banho.

-Que foi?

-Posso ir contigo? - Mordi o lábio.

-Só se me ajudares a escolher um boné. - Piscou o olho e sorriu novamente, o que fez Caról subir as escadas para se lhe juntar.



-Tu não tinhas nada de lhe contar! Ele é meu irmão, se eu quisesse contava-lhe! - Soltou para Cê.

-Tu não me disseste isso, eu não adivinhava, não achas? - retrucou ela, exasperada. - Deixa-me em paz, tou farta de ti, das tuas manias e das tuas súbitas mudanças de humor! de um momento para o outro estás bem, mas depois passas-te! Sinceramente já nem sei o que ache de ti ou o que te diga. - Chegou ao quarto e rodou a maçaneta d porta. - Merda para ti Kaulitz, tens dezoito anos mas pareces um puto de quinze!

-E sabes porquê? Porque até agora ninguém me deixou mostrar o que realmente sou! Se eu mudo de humor, então olha-te ao espelho. Num momento brincas comigo e noutro já estás a mandar-me à merda! - Barafustou.

-Pois mudo de humor, porque tu fazes isso acontecer! - A culpa é tua e das tuas pieguices. Não era preciso este espectáculo todo só porque eu comentei algo com o teu irmão, que por acaso é meu amigo! - E não me venhas para cá com essa conversa do "não tinhas direito a contar-lhe" porque tu não me pediste nada e eu não sou bruxa! - Ah e mais, se ninguém te deixou mostrar o que realmente és, azar. Compra um psicólogo privado e resolves o problema!

-Será assim tão difícil perceberes que eu quero que sejas tu que estejas ao meu lado para me ajudares? Tão difícil perceber que sejas tu que me deixes eu? Porra Cê! - Fraquejou. - Ainda não percebeste que eu estou a sofrer?

-Não sejas maricas, Bill. - elevou-lhe o rosto até ter toda a atenção dele concentrada em si. - Eu não sou quem tu procuras, acredita. - Esboçou um pequeno sorriso compreensivo e continuou: - Não devias deixar as palavras terem esse efeito em ti, meu cabeça de esfregona. nem devias sequer tomar atenção ao que eu digo, porque eu só digo porcaria.

-Até que enfim assumes que só dizes porcaria. - Esboçou um sorriso. - Não sei se és essa pessoa ou não, mas se eu não tentar, como vou saber?

- Não vais saber, porque não vais tentar. - epah não era suposto concordares comigo, era suposto admitires que eu tenho razão em relação a ti!

-Pronto, eu admito que tens razão pelo que disseste sobre mim. Mas, Cê.. Não queres mesmo tentar?

-Não. Eu jogo pelo seguro, não aposto a minha sorte em coisas tão incertas assim. - olhou pela primeira vez para o quarto. Durante o seu exame á divisão, reparou numa enorme cama que se afigurava perto de uma aparelhagem e mandou-se para cima dela, como um pino derrubado por uma bola de bowling. Bill sentou-se ao seu lado, em silêncio. - sabes o que eu queria mesmo?

-Se não arriscares nunca saberás. Estás a deitar uma oportunidade ao lixo. Eu quero mesmo conhecer-te Cê, sem essa faceta rude que deixas passar de ti, que eu sei que não é o que realmente és! - Parou. - O que é que queres?

-Eu adoro ser rude para ti, diverte-me. - Eu quero ouvir música, há dias que estou longe do meu computador e o meu leitor portátil está sem pilhas e quero cantar alto, porque preciso de libertar energias. - Espreguiçou-se, ao mesmo tempo que fechava os olhos. - Já me podias conhecer bem, senão passasses a vida com romantismos baratos.

-Ohh cala-te! Queres ouvir o quê? Coldplay?

-Nãoooo, quero ouvir Placebo!- ele levantou-se e dirigiu-se até à aparelhagem. - Vais pôr? Que amoroso! Se fosses sempre assim eu até podia gostar de ti, pelo menos como amigo.

-hey, mas não somos amigos?

-Não, nós temos uma relação amizade-ódio, não é bem amizade. - Vá mete a música e cala-te!

-Que música queres?

-Não sei eu gosto de todas... Mas podes por Without you I'm Nothing ou outra qualquer, como queiras

-Sim, é a minha favorita. - Procurou o número da música e carregou no play.

-A minha favorita é special needs mas não vou ouvi-la contigo. - retrucou a Cê.

-Porquê? - Olhou-a nos olhos.

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