Desci ao piso de baixo. A minha mãe continuava no sofá, com um ar pensativo. Creio que continuava sem saber o que fazer.
- Mãe... - disse, sentando-me do seu lado. - Desculpa.
- Não tens de pedir desculpa. Eu percebo. Isto também é uma pressão grande para ti.
- Sim, mas eu não tinha de te tratar assim.
- Mas eu entendo. Tu tens cá tudo o que te faz feliz.
- Pois...mas...acho que, independentemente da tua decisão, eu tenho é de apoiar-te. Eu também não tenho idade para impôr coisas.
" É isso! Idade! Fez-se luz! "
Planos começara a surgir na minha cabeça.
" Não, mas depois ela fica sozinha...quer dizer, não fica sozinha, mas... Oh, não dá! Se te fores embora com a tua mãe é antes do Verão... Não, pensa bem. Ai, sei lá! Pensa nisto depois. "
(...)
Um mês se passou. Ainda não sabíamos se íamos embora, se ficávamos. Eu temia cada vez mais as férias de Natal, porque podia embora.
Na escola, tinha começado a ter problemas. Uma rapariga passava a vida a fazer-se ao Tom, mesmo à minha frente. Uma loira, de olhos azuis. O Tom dava-lhe sempre para trás. Eu confiava no Tom, mas tinha medo. Eu sabia que ela costumava conseguir sempre o que queria.
Apanhei a mochila e saí de casa, dizendo alto:
- Até logo, mãe!
- Até logo! - respondeu.
Ao sair, avistei logo os gémeos Kaulitz e a Vanessa.
- Bom-dia - saudei.
- Bom-dia - responderam com um sorriso.
Beijei Tom.
- Vamos? - perguntei.
Caminhámos até à escola. No caminho, fomos conversando, como sempre.
- Mana, sempre vais ao baile? - perguntou Vanessa.
- Que baile? - perguntei.
- Ao de Halloween - respondeu Vanessa.
- Eish! Esqueci-me! - exclamei batendo com a mão na testa. - Nem os sapatos cheguei a comprar! E é daqui a dois dias! Se calhar não dá para ir!
- Oh, vais fazer uma desfeita destas ao teu par? - perguntou Tom com carinha de cachorrinho abandonado.
- Oh, amor! Mas não comprei sapatos!
- Vai descalça - respondeu com um sorriso parvo.
- Passaste? Preciso de comprar uns sapatos ainda hoje. Quer dizer...a minha mãe tem uns de salto alto. Devem-me servir. - afirmei.
- Problema resolvido! - disse Tom.
- Mas ainda não falei com a minha mãe! - disse fazendo uma cara atrapalhada de quem tem problemas.
(...)
- Desculpa deixar-te sozinha. - desculpei-me mais uma vez à minha mãe.
- Não tem problema - respondeu a minha mãe.
- Pareces abalada. É por eu ir ao baile?
- Não. É porque é o primeiro baile a que vais e...gostava que o teu pai visse isto.
- Mas ele vê, mãe.
- Bem, vai lá. O Tom deve estar à tua espera. Olha o chapéu!
- Ah, já quase me esquecia!
Peguei no chapéu de bruxa e meti-o na cabeça, vendo-me no espelho da entrada. Peguei na malinha. Beijei a testa da minha mãe, abracei-a e saí de casa.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
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