Lá fora, avistei apenas a Vanessa. Estava linda com um vestido de cor tipo salmão, sapatos altos, uma coroa e uma faixa de miss.
- Mana! - exclamou ao ver-me vestida de bruxa. - Estás maléficamente bonita!
- Obrigada, obrigada. E tu davas uma verdadeira miss! Dá lá uma voltinha!
Vanessa deu uma volta com aquele seu sorriso deslumbrante que eu adorava e conhecia tão bem.
Não tardou a avistarmos o carro do pai dos gémeos. Sim, porque os gémeos tinham carta mas ainda andavam com o carro do pai, fossem para onde fossem. Os Kaulitz saíram do carro e deixaram-me a mim e à Vanessa de boca aberta. Depois rimos que nem loucas. O Tom vinha de hippie e o Bill de vampiro. Mas estavam tão giros!
- Uma bruxa e um hippie - disse eu, aproximando-me de Tom.
Beijei-o.
- Grande combinação - disse Tom com um sorriso.
Ao chegarmos à escola, dirigimo-nos ao grande ginásio. Já estava lá imensa gente.
Haviam decorações típicas de Halloween por todo o ginásio e mesas enormes cheias de comida e bebidas. Os alunos conviviam alegremente com os seus trajes de Halloween. Haviam uns e outros trajes repetidos, mas ninguém se importava. O importante era curtir a festa, estar lá, conviver, aproveitar.
A meio da festa, o Tom disse que ia buscar bebidas para nós os dois. Fiquei a conversar com a Vanessa e com o Bill enquanto o Tom as foi buscar. Depois o Bill disse que também ia buscar bebidas para ele e para a Vanessa.
Enquanto Tom enchia um copo, aproximou-se dele a rapariga que se estava sempre a fazer a ele, a Cindy. Fiquei a observá-los. Comentei com Vanessa:
- Daqui a nada vou lá.
- Calma - disse Vanessa. - Ela ainda agora lá chegou. Pode ser que o Tom lhe dê desprezo.
- Espero bem que sim.
- Hey, não confias no teu namorado?
- Confio nele, não confio nela. Sabes bem que ela tem sempre um truque na manga.
- Vais ver, não vai ser nada.
Cindy deu-lhe um copo de sumo.
- Olha, agora ofereceu-lhe sumo! - barifustei.
- Calma, Inês! É só um copo de sumo. - afirmou Vanessa.
- Não me parece que seja só um copo de sumo.
Tom bebeu do sumo e conversou um pouco com ela. Mas o tempo foi passando e ele continuava lá, ao pé da Cindy.
- Não tarda vou lá. - afirmei, já chateada.
Vi Tom e Cindy começarem a dançar juntos.
- Olha para aquilo! - exclamei com as lágrimas a florescerem nos olhos. - Agora não me digas que não é nada! Eles estão a dançar todos agarrados! Ela 'tá-se a fazer a ele à força toda e ele 'tá a deixar!
Bill foi lá falar com o Tom.
- Olha, o Bill já lhe vai dizer para ele voltar. - afirmou Vanessa, tentando manter-me calma.
- Juro-te que não tarda estou lá a dar um estalo à gaja.
- Ela não fez nada!
- Pois não! - exclamei irónicamente. - Só lhe deu um copo de sumo e está a dançar toda colada a ele! Se fosse com o Bill, gostavas? Não gostavas! Então não me digas que não é nada!
Bill voltou para o pé de mim e da Vanessa e disse-nos:
- O Tom está estranho. A Cindy fez-lhe alguma.
- Ele só está lá porque quer. - afirmei. - 'Tou aqui, 'tou a dar um estalo aos dois.
- Não. Eu conheço o Tom. - afirmou Bill. - Acredita que ele está estranho.
Tom e Cindy beijaram-se. Depois esta fitou-me e lançou-me um olhar do género: "ganhei".
Bill e Vanessa ficaram boquiabertos.
- Pois está, Bill. O Tom está muito estranho. - afirmei.
- Mana, eu... - tentou confortar Vanessa.
- Não vale a pena. - disse eu. - A noite acabou aqui.
Saí do ginásio. Vanessa e Bill vieram atrás de mim.
- Mana! - exclamou Vanessa, agarrando-me o braço.
Fiquei virada para ela. No meu rosto lia-se raiva, desespero, dor e fraqueza. Um turbilhão de sentimentos, uma autêntica confusão. As lágrimas, persistentes, teimavam em cair a toda a velocidade, quentes e salgadas.
Queimavam-me o rosto, mas já não importava.
- Não acredito que ele me fez isto. - afirmei com a voz fraca, rouca.
Sentei-me num muro. Cobri a cara com as mãos, fechei os olhos e apoiei os cotovelos nas pernas.
- Não faz sentido! Não encaixa! O que é que aconteceu? Diz-me que eu não vi aquilo! - balbuciava eu, entre lágrimas e soluços.
- Tenho a certeza que ela tramou alguma coisa. - afirmou Bill. - Acredita que o Tom não te fazia isso.
- Eu sei lá se fazia! - elevei a voz.
- Não fazia. Duvido mesmo. - disse Bill.
- E se ela lhe fez alguma coisa, vais deixar que ela ganhe? Vais deixar que ela se ria na tua cara? Vais deixar que ela fique com ele? - perguntou Vanessa.
- Ele está lá porque quer! - berrei, continuando a chorar.
- Vai lá dentro resolver as coisas, mana! Chorar não adianta e fugir não vai resolver as coisas! Vai atrás dele!
- Vale a pena? - perguntei, fitando o nada, o vazio, o chão.
- Claro que sim! Tu não amas o Tom? - perguntou Vanessa.
- Claro que amo. Sempre amei. - afirmei.
- Então e não vais lutar por ele? - perguntou Bill.
- Vocês têm razão. - disse eu.
Levantei-me do muro e limpei as lágrimas.
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
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