terça-feira, 16 de setembro de 2008

We'll always belong to each other - Capítulo 17

Entrámos no apartamento, a sorrir e de mãos dadas. Estavam todos na sala, até a Diana e o Bill. Tinham uma cara super séria, e olhavam para nós receosos.
- Mas o que é que se passou? Têm os olhos mais vermelhos do que sei lá o quê. - disse o Tom, a olhar para nós de boca aberta.
- Cala-te Tom. - disse o Bill, dando-lhe um encontrão. - Seja lá o que se passou, já está tudo bem, não está?
Eu e o Georg dizemos que sim com a cabeça. Eu ainda limpo algumas lágrimas, mas depois começo-me a rir.
- Desculpa ter gritado contigo, Tom. Não queria fazer aquilo.
- Na boa.
- Bem, vou tomar banho.
- Eu vou contigo. - respondeu-me o Georg, a mostrar a língua.
Fomos tomar banho juntos, a rir muito e depois fomos para o quarto. Vestimo-nos e quando voltámos à sala, tínhamos a Schrei a tocar aos altos berros, uma mesa posta e um cheirinho fantástico vindo da cozinha.
- Mas quem é que cozinha tão bem que está a fazer-me água na boca? - perguntei eu, entrando na cozinha.
- Gustav Schäfer e Diana Marques ao seu serviço, madame. - respondeu a Diana. Estava tão cómica, de avental e colher de pau na mão.
- Isso, habituem-se a fazer as refeições para eu não me preocupar! - disse, virando costas.
- Pois, isso querias tu. Mas também vais fazer, deixa lá. - gritou a Diana.
Entrei na sala. Estava o Bill e o Georg a conversarem baixinho, como se não quisessem que nada se ouvisse.
- Pois, já vi que estou a mais. Já cá não estou. - disse, a piscar o olho.
- Não não, podes vir à vontade. Também gostava de falar contigo. - disse o Bill, com uma cara muito séria.
- Que se passa?
- É a Diana.
- Que tem a Diana?
- Eu quero dar-lhe um presente, mas tenho medo da reacção dela.
- E o que é que lhe vais dar?
- Um fio...com metade de um coração. A outra metade ficava para mim.
- Oh, tão querido! A Diana vai adorar.
- Tens a certeza?
- Claro que tenho a certeza.
E o Bill ficou logo melhor. Parecia ter tirado um peso dos ombros. O que o amor faz...
- ALMOÇAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAR! - gritou o Tom da cozinha.
- Nós já tamos na sala, palerma.
- E o que é que tem? Apeteceu-me. Não posso, não?
- Pronto, não chores Tom. - disse o Georg, fazendo festinhas na cara.
- Se me deres um beijinho fico melhor. - respondeu o Tom, faendo olhinhos e beicinho.
- Lamento, mas o beijinho é para mim! - resmunguei eu, pondo-me no meio deles.
- Venham mas é almoçar e não discutam. Tom, já devias perceber que o Georg já não é gay. - disse o Bill, a rir-se.
- Pois é...GUSTAAAAV.
E rimo-nos todos. O almoço estava óptimo, aqueles dois tinham que se juntar mais vezes para cozinhar.
- Pois, também acho. E tu ajudas, pode ser? - respondeu a Diana, com aquela cara de quem acaba de ser picada. E eu a rir-me.
- Gosto tanto de te picar!
Ela não respondeu. Metemo-nos a conversar sobre tudo. Os rapazes falavam muito entusiasmados sobre a tour que passou, como tudo foi fantástico e como adoraram o concerto em Portugal. Diziam que ficaram encantados com o papel a dizer "Wir Siend Hier" e as luzes na Black.
- Pois, mas vocês não cantaram a Vergessene Kinder. Nós queríamos fazer o que tu querias, de darmos as mãos e isso! - disse a Diana.
- Mas nós não tivemos culpa. Só nos deixaram fazer uma hora e meia de espectáculo. Queríamos ter cantado mais, mas não nos deixaram.
- Pois...Mas eu queria que cantassem. Eu chorava tanto se cantassem a Sacred! - dizia a Diana.
Eu não ouvi mais nada. Estava a pensar em como tudo tinha começado. A pulseira, o Georg...parecia tudo tão fantástico! E ainda é...eles agora são meus amigos, mas antes, se imaginasse isso, era-me totalmente impossível não ter um ataque cardíaco. Os Tokio Hotel no meu apartamento? NÃÃÃÃÃO. Mas agora...agora eram só o Bill, o Tom, o Gustav e o meu namorado, o Georg. Pessoas importantes para mim.
- Não foi Sónia? Sónia? - dizia alguém a chamar-me para o mundo exterior.
- Ela adormeceu. Mas é estranho, ela ontem não se pode cansar, estávamos todos na sala! - dizia o Tom, a olhar para o Georg.
- Não sejas parvo. Tava só a pensar.
- A pensar no quê?
- Em nada, só coisas minhas. Do que é que estavam a falar?
- Em como ficámos desapontadas por não terem cantado a Vergessene Kinder.
- Sim, foi pena. Mas não deixou de ser perfeito por isso. Eu estava tão histérica. Cada vez que via o Georg mandava cá um berro que o pessoal todo ao pé de mim se assustava.
- Pois, o amor é lindo.
- Não, aquilo não era amor, Tom. Era obsessão. Agora sim é amor. - e dei a mão ao Georg, que estava ao meu lado.
Ficámos em silêncio, um bocado. E de repente, o telefone tocou.

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