terça-feira, 16 de setembro de 2008

We'll always belong to each other - Capítulo 16

Sái a correr, num instante depois daquilo tudo. Estava a chorar ainda mais, porque tinha a certeza que era agora que ia acabar tudo.
- Georg, por amor de Deus, espera! - gritava, enquanto descia as escadas do prédio.
Eu via o cabelo a voar enquanto ele "fugia" de mim, furiosamente. Eu queria lhe explicar tudo, tudo...Mas se ele fugisse de mim, nunca mais ia conseguir.
Saí do prédio, ele ainda estava perto. Estava a passar uma passadeira e dirigia-se para o parque. Fui a correr, a chorar, não queria saber de carros, que me apitavam furiosamente, nem das pessoas que passavam por mim e que as atropelava. Só queria saber dele, o meu único amor.
Agarrei-lhe na camisola, fi-lo parar. Estava com os olhos vermelhos, estava a chorar. Não me conseguia olhar de frente, e tentava fugir, sem bruscidão.
- OUVE-ME. - gritei.
- Ouvir o quê? Que quiseste ir para a cama comigo e agora andas a atirar-te ao Gustav?
- Cala-te, sim? Essas tuas crises de ciúmes são estúpidas.
- Então é estupido gostar de ti? É? É que se é assim tão estúpido, acaba-se já tudo.
- MAS TU SABES POR ACASO PORQUE É QUE ELE TAVA ABRAÇADO A MIM?
- Não nem quero saber!
- Mas vais ouvir na mesma, okay? - e agarrei-lhe com mais força, obriguei-o a olhar para mim. Estava a chorar. Estávamos a chorar. - Ele estava ali comigo por causa das tuas merdas de ciúmes, por causa dele. Ele é um bom amigo, oferece-se para ser útil. Ele viu-me a ir falar contigo, ele viu tu a seres seco para mim, ele viu-me a GRITAR para o Tom, ele viu tudo. E então decidiu vir ter comigo, ajudar-me. - Meu Deus, como as lágrimas me caíam na cara, que me tapavam praticamente a vista. - E sabes por acaso o que eu dizia? Dizia que eu não sabia o que fazer com os teus ciúmes, quanto mais é que tinha de te mostrar para saberes o quanto eu gosto de ti. Eu amo-te, e magoa-me tanto, mas tanto tu não confiares no meu amor...O Gustav nestes tempos tem sido como o meu melhor amigo, porque ele conhece-te, entendes? É ele que me conta o que sofreste no passado, e epá, eu percebo tão bem isso...Mas eu já fiz os máximos dos máximos para te provar o quanto gosto de ti. Se não acreditas...acabou mesmo.
Este acabou mesmo quase que me cortava a garganta, de tão dificil era dizê-lo. Limpei a cara, sentei-me no chão, longe dele. Não queria saber da reacção dele. Disse a verdade, e se ele não acreditasse...era porque não podia haver uma relação entre nós.
- Anda cá. - disse-me, agarrando-me na mão.
Os olhos verdes dele olhavam-me fixamente, desta vez não queriam fugir dos meus. Agarrou-me pela cintura, as nossas bocas estavam quase unidas. Olhava-o nos olhos e também olhava para os lábios dele, com uma sede de o beijar incrível. Mas contive-me.
- Desculpa. Desculpa imenso. Eu amo-te como nunca amei ninguém, não sei o que faria sem ti. Parece-me impossível não existir um nós no futuro, só de pensar nisso a ideia asfixia-me. Eu sou mesmo ciumento, e isso costuma prejudicar-me imenso...O Gustav não sabe a verdade dessa rapariga...Eu contei-lhe isso para ele não ficar a pensar mal de mim. O que se passou na verdade foi que a rapariga acabou comigo por causa dos meus ciúmes. E desde então tenho medo de apostar noutra relação, com medo que aconteça tudo como dantes.
- Amor...
- Deixa-me acabar. Quando te conheci, mal te vi senti logo uma coisa no peito. Não acreditava em amor à primeira vista, mas pareçe que connosco resultou. Porque passado uma meia hora, já estávamos aos beijos. E quando foste para o hotel, eu ainda queria mais que estivesses ao pé de mim, que não me largasses. E só mais tarde, naquela última noite antes da nossa partida, quando fizemos amor, eu percebi que estava apaixonado por ti. E é por isso que tenho medo. Porque estou apaixonado por ti, porque te amo, porque...és a minha vida.
- Cala-te. Cala-te e não me faças chorar mais. Apenas me promete que não voltas a ser assim. O Gustav é e sempre será SÓ um amigo, assim como o resto dos rapazes em todo o universo. E não digas para não dizer isso, porque nunca se sabe, porque eu sei. Porque é a ti que eu quero e só a ti.
Beijámo-nos. Estávamos no parque, ainda era cedo. Eram umas nove da manhã. E às nove da manhã regavam sempre a relva. E beijámo-nos molhados, no meio da relva, sem queremos saber se iriamos ficar doentes ou não. Estávamos juntos, e isso era o que importava.

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