sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Loving you twice - Capítulo 50

O Tom ia a conduzir, eu ao lado dele. Atrás, a minha mãe, a Vanessa e o Bill.
- Ontem não consegui dormir. - afirmou Tom.
- Nem eu... - disse eu.
- Fiquei a fazer uma música. - disse Tom. - Chama-se "Der letze Tag". Porque hoje é o último dia contigo...
Fitei-o.
- Sério? - perguntei.
- Aham. - respondeu.
Ao chegarmos ao aeroporto, esperámos um bocado. Ninguém falava. Ninguém comentava a partida.
Faltavam cinco minutos. Levantámo-nos. Comecei a chorar. Vanessa também.
Abracei Bill e acariciei-lhe a cara.
- Porta-te bem. Cuida bem da minha irmã. - disse-lhe.
Abracei Vanessa com muita força e perguntei-lhe ao ouvido:
- Vamos ser sempre as best's, certo?
- Para a eternidade. - respondeu.
- Quando voltar vou-te abraçar ainda com mais força. - afirmei.
Quando quebrámos o abraço, a Vanessa estendeu-me a mão com uma fotografia e disse:
- Toma. Encontrei-a ontem. Tenho outra igual em casa.
Fitei a fotografia. Éramos eu e ela, com uns 3 anos, no jardim das traseiras da minha casa. Estávamos com vestidinhos e lacinhos iguais. As duas de totós, abraçadas e a sorrir, debaixo do pinheiro do meu quintal. Sorríamos, inocentes. Sorrisos de criança. No fundo, íamos manter aqueles sorrisos para sempre.
- Obrigada - agradeci.
Depois...chegou a vez do Tom. Vi lágrimas quererem nascer nos seus olhos.
- Não vais chorar. - afirmei.
- Tu estás a fazê-lo... - disse Tom.
Rimos. Risos leves, nervosos.
Atirei os meus braços à volta do seu pescoço, com toda a força do mundo. Agarrei-o como se fosse a última vez que o faria em toda a minha vida.
Sussurou-me ao ouvido um bocado da música que tinha feito:
- Wenn dieser Tag der letze ist...bitte, sag es mir noch nicht...wenn das es ende für uns ist, sag's nicht...noch nicht...
- Obrigada por tudo, rastafari. - afirmei.
- Porque agradeces? - perguntou.
Não quebrávamos o abraço.
- Por tudo o que me fizeste crescer, pelos medos que me fizeste ultrapassar. Por tudo o que me deste e por tudo o que passámos juntos. - respondi.
Beijámo-nos.
- Nunca te vou esquecer. - afirmei.
- Dizes isso como se não fosses voltar.
- Volto daqui a 7 meses.
Acariciei-lhe a cara. Agarrou-me a mão
- Vou sentir a tua falta. - afirmou.
- Não sei como vou viver sem ti.
- Vai dando novidades.
- Tu também.
- Inês, temos de ir. - a voz da minha mãe quebrou o momento.
Beijei-o uma última vez. Olhei para o Bill, para a Vanessa e voltei a fitar Tom.
- É agora? - perguntou.
- É agora. - afirmei.
- Boa viagem.
- Obrigada.
- Amo-te, Engel.
- Amo-te, rastafari.

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