terça-feira, 12 de agosto de 2008

Loving you twice - Capítulo 22

Estávamos os dois deitados de lado, fitando-nos um ao outro.
- Não queres adormecer primeiro? - perguntei a Tom.
- Porquê? - perguntou, rindo.
- Porque tu já me viste dormir e eu nunca te vi fazê-lo.
- Oh, está bem!
Fechou os olhos e disse:
- Estou a dormir, han?
- Oh, parvo! - dei-lhe uma chapada no braço.
Tom riu.
- Que me querias dizer lá fora e não acabaste?
- Quando?
- Quando estávamos deitados e estávamos a conversar e de repente chegou o Bill. Disseste "só sei que"...e ficaste por ali.
- Se calhar foi melhor.
- Porquê?
- Porque não sei se sentes o mesmo.
- Arrisca. Nunca saberás se não arriscares.
- Será seguro? Não me vou magoar?
- Só se não disseres e eu me vir forçada a atirar-te da cama abaixo porque não me fizeste a vontade. - ele riu.
- Pronto, ok...eu...
- Tu...?
- Eu amo-te, Nicky - disse, olhando-me olhos nos olhos.
- Estás a brincar, certo?
- Não. Amo-te mesmo muito. Eu nunca tinha sentido isto. Agora eu sei o que é gostar de alguém a sério.
- Eu...
- Eu sei que não sentes o mesmo. Mas tu insististe...
- É claro que sinto o mesmo - disse, pousando a minha mão na sua cara.
- Sentes? - perguntou, surpreendido.
- Sinto, Tom. O que eu sinto por ti é mesmo muito forte. Se não acredita que não me tinha entregado a ti hoje como o fiz.
- Wow, sério?
- Sério. Tenho de te contar uma coisa...eu tinha medo de avançar contigo porque...bem, porque houve um rapaz no passado que apenas me usou para eu ir para a cama com ele. E desde aí que nunca mais tive nada com ninguém. Mas tu abriste-me os olhos, mostraste-me que afinal eu consegui ultrapassar o meu passado e entregar-me de novo. E desta vez, sei que não me vais largar.
- Quem foi o c*brão? É do liceu?
- Não, já não. Mas também já não interessa porque ele foi apagado da minha vida.
- Fico contente por saber isso. Como é que ele...
- Também não sei. É preciso ser-se estúpido. Mas deixa lá...agora estou contigo.
- Amas-me mesmo, Ni?
- Mais do que muita coisa neste mundo, Tom.
- É bom saber isso.
Beijou-me.
Não tardou, ele adormeceu. Fiquei a vê-lo dormir durante um bocado. Acaricie-lhe os cabelos, aquelas rastas enormes, tentando não o acordar.
- Amo-te, rastafari... - sussurei e sorri.

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